6 de abril de 2025

Robin Williams foi um dos mais importantes e renomados atores e comediantes de Hollywood, famoso por filmes como “Uma babá quase perfeita” e “Gênio Indomável”. O ator cometeu suicídio em 11 de agosto de 2014, cerca de seis meses após começar a sentir os sintomas de uma doença que só seria diagnosticada após a sua morte, Demência com Corpos de Lewy.

Já Bruce Willis, conhecido por filmes como “Duro de matar” e “O sexto sentido”, foi diagnosticado primeiramente com afasia, uma doença que causa dificuldades na linguagem e comunicação. Posteriormente, foi descoberto que tratava-se apenas de um sintoma de demência frontotemporal.

Quais as semelhanças e diferenças entre as demências de Robin Williams e Bruce Willis?

A Demência com Corpos de Lewy, que afetou Robin Williams, é uma doença neurodegenerativa que atinge principalmente pessoas acima dos 60 anos e é caracterizada pela presença de agregados anormais de proteínas no cérebro, chamados corpos de Lewy, o que pode causar flutuações no estado mental, alucinações visuais, problemas de sono, rigidez muscular, tremores e problemas de memória.

Já a demência frontotemporal (DFT), doença de Bruce Willis, afeta principalmente as áreas frontal e temporal do cérebro, resultando em mudanças de personalidade, comportamento e linguagem. Os sintomas da DFT podem incluir apatia, impulsividade, perda de empatia, dificuldades na comunicação, alterações no apetite e na higiene pessoal.

Ambas as doenças apresentam sintomas semelhantes aos da doença de Alzheimer, dificultando o diagnóstico. Elas não têm cura, mas os tratamentos podem ajudar a aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

A dependência de álcool apontada pela grande mídia que afetaria os atores pode ter colaborado para o desenvolvimento da doença.

As demências podem surgir através de uma série de fatores, como lesões vasculares, deficiências nutricionais, impactos na cabeça ou genética, mas o estilo de vida é um dos principais fatores que podem colaborar para o desenvolvimento da condição.

No caso de Robin Williams e Bruce Willis, ambos já haviam comentado anteriormente sobre seus problemas de alcoolismo e o impacto causado em suas vidas. Esse pode ter sido um fator crucial para o desenvolvimento das demências.

Não podemos afirmar que essa foi a causa isolada das demências, mas analisando os dois casos podemos perceber que esse é um ponto em comum nos dois casos e não deve ser ignorado.

A ciência já demonstrou os efeitos negativos do álcool, da má qualidade de sono, da alimentação desequilibrada, do sedentarismo, entre outros hábitos nocivos, que contribuem para o surgimento e desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.

 

*Dr. Fabiano de Abreu Agrela – Pós PhD em neurociências

(Imagem meramente ilustrativa: Gerd Altmann / Pixabay)